quarta-feira, 13 de abril de 2011

Biomolécula


Fundamentos de Bioquímica   
Biomolécula
O objetivo da bioquímica é explicar a forma e a função biológica em termos químicos.
COMPOSIÇÃO E LIGAÇÃO QUÍMICA
A composição da matéria viva é diferente da do mundo inanimado. Hidrogênio, carbono, nitrogênio e oxigênio constituem mais de 99% da massa dos seres vivos. Estes são os elementos mais leves capazes de formar uma, duas, três e quatro ligações, respectivamente. Os elementos químicos que comparecem em quantidades diminutas (micro-elementos) são, no entanto, essenciais à vida, usualmente porque são essenciais à função de proteínas.
As biomoléculas são compostos de carbono
A química dos seres vivos é função dos compostos orgânicos, ou seja, está organizada ao redor do elemento carbono. O átomo de carbono pode ter ligações covalentes com hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e carbono. Cadeias de carbono podem ser formadas, com duplas e triplas ligações. Essa versatilidade do carbono é que lhe confere a propriedade chave para ser o esqueleto dos compostos orgânicos.
Grupos de átomos específicos podem ser adicionados ao esqueleto carbônico conferindo propriedades químicas específicas – grupos funcionais.
Os grupos funcionais determinam as propriedades químicas
Os hidrocarbonetos (cadeia de carbonos ligados a hidrogênio) podem derivar outras biomoléculas, pela substituição de hidrogênio por um grupo funcional, por exemplo: hidroxila (álcool), carbonila (aldeído ou cetona), amino, amido, carboxilas. Muitas biomoléculas possuem dois ou mais grupos funcionais diferentes.
ESTRUTURA TRIDIMENSIONAL: CONFIGURAÇÃO E CONFORMAÇÃO
Além dos grupos funcionais presentes na molécula, o arranjo espacial da biomolécula também é importante para determinar suas funções – estereoquímica. Compostos orgânicos que possuem a mesma ordem de ligação, mas a relação espacial entre os átomos é diferente são chamados de estereoisômeros.
A configuração de uma molécula é mudada somente pela quebra de uma ligação
Configuração é o arranjo espacial de uma molécula orgânica, que depende da presença de dupla ligação ou da presença de centros quirais, ao redor dos quais os grupos substituintes estão arranjados em uma seqüência específica.
Moléculas que diferem entre si apenas pela disposição espacial dos grupos funcionais ao redor dos carbonos envolvidos em dupla ligação são chamadas de isômeros espaciais ou isômeros cis-trans. A molécula será considera cis quando os grupos funcionais prioritários estiverem no mesmo plano, enquanto moléculas trans apresentam estes grupos funcionais em planos diferentes.
Moléculas que diferem entre si pela disposição espacial ao redor de um centro quiral (carbono assimétrico) são conhecidos como estereoisômeros. Estereoisômeros que são imagens especulares (de espelho) entre si são chamadas de enantiômeros, enquanto estereoisômeros não especulares são chamados de diastereômeros. O número de estereoisômeros de uma substância é função do número de centros quirais presentes, obedecendo a fórmula 2n, onde n é o número de centros quirais). A nomenclatura dos estereoisômeros é baseada na distribuição espacial dos grupos funcionais prioritários ao redor do centro quiral. O estereoisômero será R se a distribuição for no sentido horário, e será S, se no sentido anti-horário.
Enantiômeros possuem propriedades químicas idênticas, porém diferem na propriedade física de interação com a luz plano-polarizada. Assim, em soluções separadas, dois enantiômeros deslocam a luz em direções opostas, mas soluções equimolares de dois enantiômeros (mistura racêmica) não mostram desvio óptico. Compostos sem centros quirais não giram o plano de luz.
As interações biológicas são estereoespecíficas.
A conformação molecular é alterada pela rotação ao redor das ligações simples
Conformação molecular é o arranjo espacial dos grupos substituintes que são livres para assumir diferentes posições no espaço, sem a quebra de qualquer ligação, devido à liberdade de rotação da ligação.
Configuração e conformação
A combinação entre configuração e conformação é de extrema importância para as interações biológicas das biomoléculas. O estudo da estrutura tridimensional das biomoléculas é realizado por meio de cristalografia de raios X e ressonância nuclear magnética.
Interações entre biomoléculas são estereoespecíficas
As biomoléculas quirais nos seres vivos ocorrem geralmente em apenas uma de suas formas quirais (L-aminoácidos, D-monossacarídeos) porque as enzimas que os sintetizam são também moléculas quirais. Ao contrário, quando sintetizadas em laboratório, geralmente o que se obtém é uma mistura racêmica.
A habilidade para distinguir entre estereoisômeros (estereoespecificidade) é uma propriedade das biomoléculas (e.g. enzimas).
REATIVIDADE QUÍMICA
Os mecanismos das reações bioquímicas podem ser entendidos e previstos a partir da natureza dos grupos funcionais dos reagentes.
A força da ligação está relacionada às propriedades dos átomos que dela participam
Nas reações químicas, ligações são quebradas e novas são formadas. A força de uma ligação química depende de (1) eletronegatividades relativas, (2) da distância dos elétrons que participam da ligação em relação a cada um dos núcleos, e (3) da carga nuclear de cada átomo. O número de elétrons compartilhado também influencia a força da ligação; ligações duplas são mais fortes que ligações simples. A energia de ligação é a quantidade de energia necessária para romper uma ligação ou quantidade de energia ganha pelo ambiente quando há formação de ligação.
A variação da entalpia (DH) é a diferença de energia no sistema antes e após a reação química. Se o sistema absorve energia na forma de calor à medida que a transformação ocorre (endotérmica) então DH é positivo. Quando o calor é produzido (exotérmica), DH é negativo. A variação na entalpia reflete os tipos e o número das ligações covalentes que são sintetizadas e quebradas. A variação na entalpia é um dos três fatores que determinam a variação de energia livre, além da temperatura e a mudança na entropia.
Nas células ocorrem cinco tipos gerais de transformação química
As milhares de reações bioquímicas se encaixam dentre cinco tipos gerais: (1) oxidação-redução; (2) reações que formam ou quebram ligações carbono-carbono; (3) reações que rearranjam a estrutura das ligações ao redor de um ou mais átomos de carbono; (4) transferência de grupos funcionais; (5) reações nas quais duas moléculas se condensam com a eliminação de uma molécula de água.
Todas as reações de oxidação-redução envolvem transferência de elétrons
Oxidação é a perda de elétrons. Esta perda pode ser funcional como no caso do deslocamento efetivo do elétron no sentido do átomo mais eletronegativo. Assim, a transformação de alcano (-CH3) em um álcool (-CH2OH) é uma reação de oxidação. Quando na reação de oxidação, há perda de dois átomos de hidrogênio, esta é denominada desidrogenação (e as enzimas envolvidas, desidrogenases). Quando na reação de oxidação, um átomo de carbono se liga a um de oxigênio, as enzimas envolvidas são chamada de oxidases ou oxigenases dependendo da origem do átomo de oxigênio.
Toda oxidação é acompanhada de redução. Os seres vivos obtém a energia necessária para o trabalho celular oxidando combustíveis (carboidratos, lipídios). As vias catabólicas são reações de oxidação-redução em cadeia que resultam na transferência de elétrons das moléculas combustíveis por meio de uma série de transportadores de elétrons até o oxigênio. A afinidade alta do O2 por elétrons torna todo o processo de transferência de elétrons altamente exergônico, fornecendo a energia que impulsiona a síntese de ATP – o objetivo central do catabolismo.
Ligações carbono-carbono são quebradas e formadas por reações de substituição nucleofílica
Uma ligação covalente pode ser quebrada de forma homolítica (cada um dos átomos envolvidos mantém seus elétrons que estavam sendo compartilhados) ou heterolítica (um dos átomos envolvidos na ligação carrega sozinho os elétrons antes compartilhados, formando um ânion e deixando o outro átomo na forma de cátion). Quando um segundo grupo rico em elétrons substitui o ânion que saiu, uma substituição nucleofílica ocorre. Nucleófilos são os grupos ricos em elétrons e que são capazes de doá-los, e eletrófilos são os grupos funcionais deficientes em elétrons. Grupos funcionais que contêm oxigênio, nitrogênio e enxofre são importantes nucleófilos biológicos, enquanto átomos de hidrogênio e metais carregados positivamente atuam como eletrófilos. Um átomo de carbono pode atuar como nucleófilo ou eletrófilo, dependendo de quais ligações e grupos funcionais o cercam.
As reações de substituição de nucleófilos em ligações carbono-carbono pode ser do tipo reação SN1 (em que ocorre perda de um nucleófilo antes da entrada do outro) ou do tipo reação SN2 (em que se estabelece um estado intermediário pentavalente com os dois nucleófilos transitoriamente ligados ao carbono).
Transferência de elétrons intramolecular produz rearranjos internos
O rearranjo intramolecular é a redistribuição de elétrons que resulta em isomerização, transposição de ligações duplas e rearranjos de ligações duplas cis-trans.
Reações de transferência de grupos ativam intermediários metabólicos
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Biopolímeros são formados por condensação
As subunidades monoméricas que compõem proteínas, ácidos nucléicos e polissacarídeos são ligadas por reações de deslocamento nucleofílico que substituem um bom grupo de saída (nucleófilo fraco). Por exemplo, na reação de ligação de duas moléculas de aminoácidos, um aminoácido não substitui diretamente o nucleófilo hidroxila (pois este é um nucleófilo forte, portanto um grupo de saída pobre) do outro aminoácido, mas ao invés disto primeiro o grupo hidroxila é transformado em um grupo de saída melhor (tRNA) e só então este é deslocado por uma reação de condensação sendo substituído pelo outro aminoácido.
MACROMOLÉCULAS E SUAS SUBUNIDADES MONOMÉRICAS
Os polissacarídeos, as proteínas e os ácidos nucléicos são construídos pela polimerização de subunidades relativamente pequenas, de peso molecular ao redor de 500 ou menos. A síntese das macromoléculas é uma atividade celular forte consumidora de energia.
Os principais constituintes das células são macromoléculas
A água é o composto mais abundante dos seres vivos, mas as macromoléculas são os principais constituintes secos. As proteínas têm atividade catalítica, estrutural ou de transporte de sinais ou substâncias. As proteínas são talvez as mais versáteis das biomoléculas. Os ácidos nucléicos (DNA e RNA) armazenam, transmitem e transcrevem a informação genética. Os polissacarídeos servem de armazenadores de alimentos, liberadores de energia, como elementos estruturais extracelulares e como sinais celulares específicos. Os lipídios servem como componentes estruturais das membranas e como armazenamento de alimentos ricos em energia. Todas essas moléculas são sintetizadas em reações de condensação. Nas macromoléculas, o número de subunidades monoméricas é muito grande.
As macromoléculas são construídas com subunidades monoméricas
As proteínas e os ácidos nucléicos possuem subunidades monoméricas simples, pouco diversas e idênticas em todas as espécies. São moléculas informacionais. Os polissacarídeos, de uma certa forma, também carrega informação reconhecível por outras macromoléculas.
As subunidades monoméricas têm estrutura simples
As proteínas são formadas por aminoácidos que são constituídos por um grupamento carboxila e um grupo amino ligados a um átomo de carbono (carbono a), ao qual também se liga uma cadeia lateral variável. Vinte aminoácidos diferentes são encontrados nas proteínas. Os ácidos nucléicos são constituídos por unidades recorrentes de quatro tipos diferentes de nucleotídeos para o DNA e outros quatro tipos para o RNA. Cada nucleotídeo é composto por um grupo fosfato, uma base nitrogenada e uma ribose. Os lipídios são construídos por poucos tipos de subunidades. A maioria contém ácido(s) graxo(s). Muitos lipídos possuem também álcool e alguns contêm fosfato. Os polissacarídeos mais comuns são constituídos por subunidades de glicose ou derivados de glicose.
A condensação entre as subunidades cria ordem e requer energia
A formação de macromoléculas a partir da condensação de monômeros aumenta a organização do sistema, portanto não estaria de acordo com a segunda lei da termodinâmica que diz que a tendência dos processos químicos e físicos é o aumento da entropia (desorganização). Assim, a formação de polímeros é possível com gasto de energia.
A desordem dos componentes de um sistema químico é expressa como a entropia (S). A variação de entropia (DS) tem valor positivo quando a desordem aumenta.
O conteúdo de energia livre (G) de qualquer sistema isolado é definido em relação a entalpia (H), entropia (S) e temperatura absoluta (T), onde, G = H – TS, ou, DG = DH – T DS. Se DG é negativa (exergônica) a reação tende a acontecer, mas se DG é positiva (endergônica), a reação é desfavorável. As reações endergônicas devem ser acopladas a reações exergônicas mais fortes para que possam ocorrer. A fonte comum dos seres vivos de energia é a hidrólise de ATP.
A estrutura celular é hierarquizada
Unidades monoméricas se unem por ligações covalentes e formam polímeros que se agrupam através de interações não-covalentes formando complexos supramoleculares. Entre as interações não-covalentes, encontram-se pontes de hidrogênio, interações iônicas, interações hidrofóbicas e interações de van der Waals. Nos complexos supramoleculares, o grande número de interações fracas entre as macromoléculas estabiliza as estruturas não-covalentes finais, produzindo sua estrutura “nativa” única.
EVOLUÇÃO PRÉ-BIÓTICA
Todos os organismos vivos descendem de uma única linhagem celular primordial.
As primeiras biomoléculas apareceram por evolução química
A atmosfera terrestre primitiva foi muito diferente da que existe hoje. Rica em metano, amônia, água e essencialmente destituída de oxigênio, ela era uma atmosfera redutora, e não oxidante como hoje. A partir destes reagentes formaram-se compostos orgânicos simples que se concentraram nos mares primitivos e, estes por sua vez, se associaram em macromoléculas, que se associaram à membranas e catalizadores originando os precursores das células primitivas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Resumo de Bioquimica 01 - fundamentos de bioquímica


Fundamentos de Bioquímica
A lógica molecular da vida
Os organismos vivos são compostos de moléculas destituídas de vida.
A unidade química dos diferentes organismos vivos
Os organismos vivos são (1) complexos e organizados, (2) capazes de extrair, transformar e usar a energia que encontram no meio ambiente, e (3) são capazes de auto-replicação.
A bioquímica procura explicar a vida em termos químicos
Como as coleções de moléculas inanimadas, que constituem os seres vivos, interagem entre si para manter e perpetuar a vida animada, exclusivamente pelas leis químicas que governam  o universo não vivo.
Apesar da grande diversidade de seres vivos, estes são muitos semelhantes em nível celular e molecular.
Todas as macromoléculas são construídas a partir de poucos compostos simples
A maioria dos constituintes moleculares dos sistemas vivos é composta de átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, na forma de subunidades monoméricas (aminoácidos, nucleotídeos e monossacarídeos) que formam proteínas, ácidos nucléicos e polissacarídeos.
A maioria das subunidades monoméricas exerce mais de uma função nas células vivas. Nucleotídeos – subunidades de ácidos nucléicos e moléculas transportadoras de energia; aminoácidos – subunidades de proteínas e precursores de neurotransmissores, pigmentos e outras biomoléculas.
Todos os organismos vivos constroem moléculas a partir dos mesmos tipos de subunidades monoméricas.
A estrutura de uma macromolécula determina sua função biológica específica.
Cada gênero e espécie são definidos por seu conjunto distinto de macromoléculas.
A produção de energia e seu consumo no metabolismo
A vida depende de um suprimento constante de energia para poder se opor à tendência, inexorável da natureza, de queda para níveis menores de estado energético.
A vida desenvolveu, durante a evolução, mecanismos altamente eficientes para capturar a energia do Sol, ou extrai-la de alimentos oxidáveis, e transferi-la para os processos que dela necessitam.
Os organismos nunca estão em equilíbrio com seu ambiente
As moléculas e os íons contidos no interior dos organismos vivos diferem em tipo e em concentração das existentes no meio ambiente.
A composição molecular reflete um estado estacionário dinâmico
Embora a composição química de um organismo possa ser quase constante ao longo do tempo, as moléculas são sintetizadas e depois desmontadas por reações químicas contínuas, envolvendo fluxo constante de massa e energia através do sistema, refletindo um estado estacionário dinâmico.
Os organismos vivos transformam energia e matéria do meio ambiente
Os seres vivos precisam realizar trabalho para permanecerem vivos e para se reproduzirem.
Sistema é tudo que está dentro de uma região definida do espaço – reagentes, produtos, solventes e atmosfera. O sistema e seus arredores constituem o universo. O sistema pode ser isolado (não troca nem matéria nem energia com o arredor), fechado (troca energia) ou aberto (troca energia e matéria).(AQUI HAVIA UMA INVERSÃO ENTRE ISOLADO E FECHADO, MAS FOI CORRIGIDO. CONTRIBUIÇÃO VALIOSA DE MARIA LUIZA)
Os seres vivos são sistemas abertos que captam energia do meio ou por oxidação de combustíveis ou absorvendo  energia da luz solar.
A primeira lei da termodinâmica – em qualquer mudança física ou química, a quantidade de energia total do universo permanece constante, embora a forma de energia possa mudar.
Os seres vivos são transdutores consumados de energia, capazes de interconverter energia química, eletromagnética, mecânica e osmótica com grande eficiência. Os seres vivos são motores químicos que funcionam à temperatura constante.
O fluxo de elétrons fornece energia para os organismos
Praticamente todos os seres vivos obtêm energia, direta ou indiretamente, da energia radiante da luz solar.
As células fotossintéticas absorvem a energia radiante do sol e a utilizam para retirar elétrons da molécula de água e adiciona-los à molécula de dióxido de carbono, formando produtos ricos em energia, e liberando oxigênio para a atmosfera. Os organismos não fotossintetizantes pela oxidação destes produtos ricos em energia. Todas essas reações que envolvem fluxo de elétrons são reações de oxirredução.
Acoplamento de energia liga as reações químicas em biologia
Reações químicas podem ser acopladas assim que uma reação liberativa de energia promove uma reação que requer energia.
Reações químicas em sistemas fechados ocorrem espontaneamente até que o equilíbrio seja alcançado – estado estacionário. A variação de energia, que ocorre enquanto o sistema se move de seu estado inicial para o equilíbrio, a pressão e a temperatura constantes, é dada pela variação de energia livre (DG). A grandeza de DG depende da reação química particular e de quanto o sistema inicialmente está longe do equilíbrio. Nas reações que ocorrem espontaneamente, os produtos têm menos energia livre que os reagentes, assim a reação libera energia livre, que está disponível para realizar trabalho. Tais reações são exergônicas, e DG é expressa em valores negativos. As reações endergônicas, por outro lado, requerem energia e são expressas com DG positivos. Parte da energia liberada em reações bioquímicas exergônicas pode ser usada em reações endergônicas, mas parte da energia é dissipada como calor ou perdida para aumentar a entropia.
O acoplamento de reações endergônicas a reações exergônicas ocorre em seres vivos, via um intermediário compartilhado das reações. A quebra de adenosina trifosfato (ATP) é a reação exergônica, que dirige muitos processos endergônicos, nas células. O ATP é o maior transportador de energia química em todos os seres vivos, e seu grupo fosfato terminal é transferido para uma variedade de moléculas receptoras, que são ativadas para favorecer transformações químicas. Adenosina difosfato (ADP) é reciclado (fosforilado) para ATP, à custa de energia química ou da luz solar.
As enzimas promovem reações químicas em cadeia
O fato de uma reação ser exergônica não significa que ela necessariamente se processará de forma rápida. Inicialmente há a necessidade de vencer a barreira de ativação e atingir um estado de transição de alto nível de energia livre. Isto garante estabilidade para as biomoléculas.
Nos seres vivos, as reações químicas ocorrem devido à presença de enzimas que agem como catalisadores diminuindo a barreira de ativação entre o reagente e o produto, a energia de ativação necessária e acelerando enormemente a velocidade da reação. Uma pequena redução na energia de ativação necessária resulta em um grande aumento na velocidade da reação.
As enzimas são específicas para cada reação e isso permite a diminuição seletiva das barreiras de ativação das reações celulares. Esta seletividade é crucial na eficaz regulação dos processos celulares.
As reações químicas enzimaticamente catalizadas são funcionalmente organizadas em muitas seqüências diferentes de reações consecutivas chamadas vias, nas quais o produto de uma reação se torna o reagente para a próxima reação. Os processos degradadores liberativos de energia livre são designados catabolismo, enquanto as vias sintéticas que requerem invariavelmente a adição de energia são chamadas de anabolismo. O conjunto de vias imbricadas e enzimaticamente catalisadas constituem o metabolismo. O ATP é o mais importante elo de conexão entre os componentes catabólicos e anabólicos destas vias.
O metabolismo é regulado para ser econômico e equilibrado
Os seres vivos sintetizam simultaneamente vários tipos de macromoléculas e nas proporções requeridas para sua homeostase. As enzimas-chave em cada via metabólica são reguladas de tal forma que cada tipo de molécula precursora é produzido em quantidade apropriada às necessidades correntes da célula. Altas concentrações de um produto podem inibir a atividade catalítica de uma enzima-chave na via, diminuindo, imediatamente, a produção deste produto. Essa retro-alimentação negativa mantém em equilíbrio a produção e a utilização de cada intermediário metabólico.
Os seres vivos também regulam a síntese das enzimas. Os seres vivos podem desativar a síntese de uma enzima necessária para a produção de um determinado produto. O seres vivos mantém  um estado de equilíbrio dinâmico, a despeito das flutuações do ambiente externo.
TRANSFERÊNCIA DA INFORMAÇÃO BIOLÓGICA
A informação básica de cada ser vivo deve ser mantida a cada geração, guardando a essência, e, ao mesmo tempo, permitindo variações responsáveis pela evolução constante dos seres vivos. Os ácidos nucléicos como macromoléculas responsáveis por guardar o código essencial de cada ser vivo.
A continuidade genética é atribuição das moléculas de DNA
A informação genética é preservada no DNA, um polímero orgânico longo e fino tão frágil que sua molécula é fragmentada sob a ação de forças que aparecem em uma solução quando agitada ou pipetada.
A estrutura do DNA permite seu reparo e sua replicação com fidelidade quase perfeita
A complementaridade estrutural entre as duas metades da molécula do DNA garante a preservação do material genético dos seres vivos. O DNA é constituído por desoxirribonucleotídeos, arranjados em uma seqüência linear precisa. Duas fitas poliméricas são enroladas uma ao redor da outra formando uma dupla hélice, através do pareamento dos nucleotídeos complementares. Cada uma destas fitas pode servir de molde para a formação de uma nova fita.
Mudanças nas instruções hereditárias permitem a evolução
Durante a replicação do DNA podem ocorrer erros de complementaridade, originando seqüências de nucleotídeos diferentes do original, são as mutações genéticas. Apesar de geralmente serem deletérias ou mesmo fatais para os organismos que sofrem tais mutações, ocasionalmente podem ser vantajosas para o organismo.
A anatomia molecular revela relações evolucionárias
Em nível molecular, a evolução é a emergência, no tempo, de diferentes seqüências de nucleotídeos no interior dos genes.
A seqüência linear do DNA codifica proteínas com estruturas tridimensionais
A seqüência linear de aminoácidos em uma proteína leva à aquisição de uma estrutura tridimensional única e exclusiva por meio de um processo de automontagem.
As macromoléculas individuais com afinidade específica por outras macromoléculas automontam-se em complexos supramoleculares.
Interações não-covalentes estabilizam as estruturas tridimensionais
As forças que dão estabilidade e especificidade às estruturas tridimensionais das macromoléculas e aos complexos supramoleculares são, em sua maioria, interações não-covalentes: pontes de hidrogênio, interações iônicas, interações de van der Waals e interações hidrofóbicas.
A natureza transiente das interações não-covalentes confere flexibilidade às macromoléculas, flexibilidade crítica para suas funções. Além disso, é improvável que todas as inúmeras interações sejam rompidas ao mesmo tempo, conferindo estabilidade à macromolécula.
As estruturas biológicas tridimensionais combinam as propriedades de flexibilidade e de estabilidade.
Interações não-covalentes são também centrais na especificidade e na eficiência catalítica das enzimas. As enzimas ligam os intermediários no estado de transição por meio de numerosas ligações fracas, as quais são precisamente orientadas. Como as interações são flexíveis, o complexo sobrevive às distorções que ocorrem durante a transformação do reagente em produto.

As raízes físicas do mundo bioquímico
Uma célula viva é um sistema isotérmico de macromoléculas que se autocontém, automonta, auto-ajuda e auto-perpetua, e que extrai energia livre do seu meio ambiente.
A célula usa essa energia para manter-se em um estado estacionário dinâmico, distante do equilíbrio com o seu meio ambiente.
As várias transformações químicas dentro das células são organizadas em uma rede de vias de reações, promovidas a cada etapa por enzimas, as quais a própria célula produz. Uma grande economia das partes  e dos processos é atingida pela regulação da atividade enzimas-chave.
A auto-replicação através de muitas gerações é conseguida pelo sistema linear de codificar a informação, que é auto-reparável. A informação genética, codificada como seqüências de subunidades de nucleotídeos no DNA e no RNA, especifica a seqüência de aminoácidos em cada proteína, o que, em última análise, determina a estrutura tridimensional e a função de cada proteína.
Muitas interações fracas, não-covalentes, agindo cooperativamente, estabilizam as estruturas tridimensionais das biomoléculas e dos complexos supramoleculares, permitindo flexibilidade suficiente para ações biológicas.

O objetivo deste blog

Inicialmente apenas postar algumas anotações de bioquímica.
Geralmente resumos ou fichamentos.
Depois, o destino guiará nossos passos e traços.